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Destaques

Notícias do X Simpósio de Psicanálise

Quantas Palavras São Necessárias Para Se Criar Um Corpo -  A Origem De Uma História - Reflexões Sobre a Anorexia.

Participar do X Simpósio da SPMS que tratará do tema O Corpo En - Cena:
psicanálise, arte e cultura  
permitirá que eu amplie um tema que já venho refletindo,  que é o processo da  construção e desconstrução do corpo
erógeno.

Não podemos questionar a concepção de que os processos psíquicos se originam e se desenvolvem a partir dos processos biológicos,  desta maneira traçarei este percurso tomando como base de interlocuçāo os textos de Freud: Introdução ao Narcisismo ( 1914) , Além do Princípio do Prazer (1920) , O Ego e o Id (1923) e  Inibição sintoma e Angústia (1926) para enfatizar que a função
metapsicológica do corpo, entre a dor e o prazer, a vida e a morte, aceita abordar tanto um corpo da representação como também um corpo do transbordamento, que coloca em evidência o excesso impossível de ser representado.

Farei ainda uma breve reflexão sobre o transtorno alimentar , em especial a
anorexia , na qual o sujeito permanece em um  isolamento sensorial, numa
imobilidade corporal formada por uma contenção energética extraordinária,
que o protege de um exterior supostamente traumático. A anorexia denuncia uma grande dificuldade na diferenciação sujeito-objeto, é uma sintomatologia narcísica que expressa o triunfo de não precisar do objeto.
 
E para finalizar emprestarei o conto de Kafka (1922), "O artista da fome "
em que um jejuador profissional coloca como objeto de espetáculo, a
miséria do seu corpo para ser contemplada por toda uma cidade.

Miriam Catia Bonini Codorniz
Psicóloga - Psicanalista,
Membro Efetivo da SPMS e SPRJ, Analista em Função Didática do IP da SPMS,
Diretora do IP/SPMS (2015-2017).

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Corpo: construções e desconstruções
 
O tema deste X Simpósio instigou o meu interesse pelo Corpo, suas construções e desconstruções, numa tentativa de articular desejo e prazer, a partir da psicanálise e a cultura.
A psicanálise marca a diferença entre o corpo da ciência anatômica e o corpo erógeno, que ao transcender o biológico, sofre e goza. E a partir da relevância daquilo que o corpo “en- cena” com o Inconsciente é que pretendo discorrer sobre o desejo e o prazer, no sentido de delimitar, no pensamento freudiano, o mapa teórico que percorre desde os “Estudos sobre a histeria” (1895), passando por textos estratégicos da evolução da obra, até chegar em “O mal-estar na civilização (1930), procurando refletir sobre aspectos que contribuíram para a construção de um corpo, no mundo moderno, como origem e sede dos conflitos pulsionais, como aquele que anima as nossas produções fantasmáticas.

Voltada para a demanda cultural enfatizo o título do livro que o historiador Eric Hobsbawm (1999) deu à sua extensa análise sobre o breve século XX (1914-1991), o qual condensa questões que problematizam esse tema, tendo em vista o sentido estrito da expressão “Era dos Extremos” e uma possível relação com o corpo em desconstrução.

Um breve resumo sobre a obra do historiador é apresentado para falar sobre as grandes mudanças sociais e possibilitar a reflexão, entre outras coisas, sobre a “Era dos Extremos” como expressão das tensões internas, experimentadas nas situações extremadas da relação do indivíduo com os seus objetos, assim como, nos abalos que o corpo e, consequentemente a subjetividade podem sofrer meio aos paradoxos produzidos a partir dos ‘extremos culturais’.

Também recorro ao filósofo e sociólogo francês, Gille Lipovetsky, para falar dessas situações extremadas como a nova sociedade que se implantou durante os anos de 1950, 60 e 70, com o fim das grandes crenças políticas acabou por centrar-se mais no presente, voltada para o consumo, para a liberdade sexual, temas esses que hoje se encontram estreitamente associados à busca pelo prazer sem limites. Para ele já entramos na era do ‘hiper’, cuja sociedade está caracterizada por uma hipermoderni dade (2004), ou seja, por uma modernização excessiva e desenfreada, na qual nos deparamos com hiperconsumos, hipermercados, com cuidados excessivos com o corpo, cujo narcisismo é também excessivo, onde impera o comando da urgência, do maior poder, da maior rentabilidade, da máxima competência, da excessiva flexibilidade, do desempenho hipereficiente.

Leila Tannous Guimarães é Psicóloga, Psicanalista, Membro Efetivo da SPMS, analista em função didática do Instituto de Psicanálise e Diretora do Departamento Científico da SPMS.

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Sonho,  Soma e Estética
Dr. Paulo André Borges,SPMS

A publicação de inspiração analítica sobre arte e literatura começa com nosso fundador, Sigmund Freud e em seus desenvolvimentos tem dado suporte a uma visão estética e desenvolvido uma senso psicanalítico estético em paralelo com insights da clínica. Muitos autores importantes psicanalíticos escrevem sobre arte e eu não posso deixar de citar a Psicologia do Ego, que através de Ernest Kris tem um importante trabalho sobre este assunto, e da mesma forma, Psicologia do Self com o legado de Heinz Kohut e ainda a Escola Francesa, com numerosos autores, dos quais eu destacarei Chasseguet-Smirgel e André Green. Eu os cito  para só para lembrar que há outras formas de abordar o assunto que vou apresentar.

O trabalho  que apresentarei é uma nova forma de encarar a psicanálise  dentro de uma expansão do legado de Melanie Klein e  Bion e para isto vamos ter que entrar na filosofia e estética de Kant, no mundo da arte e do misticismo. Sobre Kant direi que apresenta em seu primeiro livro a Critica do Juízo uma apreciação estética, na Critica da Razão Pura apresenta a ciência e a cognição e o cognitivo, e na Crítica da Razão Prática, suas considerações sobre ética e moral. Para ele existem três formas de compreensão, a científica, a ética e a estética, sendo esta uma contemplação desinteressada do objeto da experiência, não relacionado com os objetivos éticos, da lei moral ou das causas (ciência).

Tudo começa com Freud em psicanálise, e na estética não é diferente. Ele queria uma psicanálise dentro da ciência, lutou para isto e muitos psicanalistas atualmente continuam  pretendendo esta validação científica. Certos analistas kleinianos  alinhados com a filosofia contemporânea dão uma maior atenção à subjetividade e à contingência, à diferença, à multiplicidade e à escolha (responsabilidade) em detrimento do já está decidido pela compulsão à repetição e indo para longe da idéia de explicações científicas para tudo, de julgamento moral ou de teleologia do desenvolvimento. É uma virada fenomenológica, ele repudia a teoria enquanto tal e as aspirações de cientificidade e explicações causais são rejeitadas por vários motivos, seguindo filósofos modernos como Rorty, Feyerabend e outros tantos. O discurso científico é uma forma de representar o mundo, mas não é a única, nem a principal, existem outras como o misticismo, a arte, a psicanalítica, a filosófica.  Estes kleinianos , como Meltzer, estão mudando o vértice de ética para estética o que desconstrói a hipótese freudiana de conteúdo latente, ou seja, que há sempre algo para ser encontrado sob a superfície do sintoma, e desta forma, o foco do trabalho analítico é sobre o desenvolvimento do aparelho para pensar pensamentos e na relação da pessoa com seus objetos.

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A PSICANALISTA JOELMA DIBO VICTORIANO, PARTICIPARÁ DO X SIMPÓSIO DE PSICANÁLISE DA SPMS, EIS UM RECORTE DE SEU TRABALHO:

...dançar é possibilidade de re-encontro com um tempo interno onde a palavra ainda estava incubada. É uma forma de retorno a originalidade, ou como dizia Martha Graham, uma das precursoras da dança contemporânea, e cujo pai era um psiquiatra muito interessado em Freud, “A dança é a linguagem escondida da alma”.

No início é o corpo e suas necessidades e sensações, é o movimento que vai em busca de algo, que se afasta e que se aproxima novamente, encontros e desencontros marcam o compasso do existir. A comunicação se dá por meio do grito, da agitação, do silêncio, do movimento e do não-movimento das partes de um corpo vivo e pulsante. Pulsão.
Quantas são as possíveis analogias entre a dança e a psicanálise?
 

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"A  ESPERA" é o título da apresentação que abrirá o X Simpósio de Psicanálise organizado pela Sociedade Psicanalítica de MS, 11, 12 e 13 de Agosto. A Concepção coreográfica é de  Neide Garrido, interpretada pela bailarina  Ana Lúcia El Daher, na Modalidade contemporânea regida pela Balada nr. 1 de Chopin.
 
A Espera
 
. . .   momentos curtos de intenso prazer, expectativas e angústia que afloram sensações inesperadas, incorporando ao personagem em cena, uma apropriação desavisada do espaço e no tempo do outro. Um corpo que vibra pela vida, que chora, que ri que emudece, se desconhece e se descobre!

Estará  conosco no X Simpósio de Psicanálise Daniel Delouya,  a seguir um resumo das suas  ideias.

Corpo, morte e vida.

O corpo é posto em evidência para cada ser com a descoberta da morte, o que lhe dá toda a noção daquilo que é a vida, a psíquica! Todo trabalho analítico em que o psíquico acabe flagrando o analisando, retoma de alguma forma a revelação do corpo na descoberta freudiana.

Com base na teoria psicanalítica, Dr Sergio Eduardo Nick apresentará uma breve descrição do conceito de Gênero e suas implicações clínicas para o trabalho com adolescentes na clínica. Sabemos que desde as proposituras freudianas acerca da sexualidade e dos movimentos feminista e LGBTQ, muita coisa mudou no entendimento das questões relativas ao gênero e à sexualidade humana.

Estará conosco no X Simpósio de Psicanálise da SPMS, a psicanalista Silvana Rea - Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de SP(SBPSP), Graduada em Cinema e Psicologia, Mestre e Doutora em Psicologia da Arte pelo IP-USP, Editora da Revista Brasileira de Psicanálise. Silvana apresentará um trabalho intitulado “Corpo a corpo, vida a vida: arte e psicanálise”.
 
"Este trabalho pretende discutir, a partir da psicanálise, a presença do corpo do artista e do espectador em diferentes poéticas das artes plásticas a partir do modernismo”.